Analisando os números passados e as previsões, observamos que a oferta global de algodão pode variar, mas a produção no Brasil deve ser robusta, especialmente com o impulso da região do Matopiba (área composta por parte de Estados pertencentes ao Cerrado brasileiro, incluindo Maranhão (MA), Tocantins (TO), Piauí (PI) e Bahia (BA)).

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De acordo com o USDA, os Estados Unidos preveem uma redução de 14% na safra de algodão, especialmente devido às condições climáticas desfavoráveis no Texas. Como resultado, as exportações norte-americanas da fibra devem diminuir para 2,9 milhões de toneladas, representando uma queda de 4,4% em relação à última safra.

Esse panorama pode marcar a primeira vez na história em que o Brasil poderá superar os EUA em produção total de algodão. Aliado a esse cenário, a Abrapa (Associação Brasileira de Produtores de Algodão) estima um aumento de mais de 77% nas exportações brasileiras na safra 2023/24, ultrapassando 2,5 milhões de toneladas.

Embora a safra de algodão 2023/24 apresente declínios em países relevantes, como os EUA, na China, as estimativas para janeiro foram ajustadas em aumento de 1,85% em comparação à estimativa anterior. Assim, espera-se que a produção chinesa supere as expectativas.

Enquanto a produção mundial da fibra deve ser de mais de 27,1 milhões de toneladas, o Brasil projeta alcançar 3,36 milhões de toneladas em 2024, representando uma produção 2,67% superior à obtida na safra 2022/23, que foi de 3,27 milhões de toneladas.

Esse cenário é favorável para a obtenção de altas produtividades, especialmente se as previsões relacionadas ao clima se confirmarem (retorno das chuvas para a região Centro-Oeste do Brasil). 

A atenção a essas projeções é crucial, mas é igualmente importante compreender como o clima pode impactar a qualidade da safra, incluindo o aumento da incidência de pragas importantes e desafiadoras à cultura do algodão.

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Como deve ser o clima nos próximos três meses no Brasil?

As condições climáticas têm papel crucial na produção de algodão. Segundo dados do Boletim Agrometeorológico publicado pelo INMET (Instituto Nacional de Metereologia) em dezembro de 2023, observou-se uma distribuição irregular de chuvas no Brasil, impactando as regiões produtoras. Enquanto áreas do Centro-Oeste e Norte receberam chuvas abundantes, o Nordeste enfrentou tempo quente e seco, gerando escassez hídrica. 

Região Norte

Na Região Norte, a previsão climática indica chuvas abaixo da média em áreas como norte de Amazonas e Rondônia, devido ao El Niño. Roraima, Acre e sudoeste do Amazonas podem ter chuvas acima da média. 

As temperaturas permanecerão acima da média, com possíveis períodos de calor intenso. O balanço hídrico prevê baixa umidade, principalmente no extremo norte, com recuperação em fevereiro e março, concentrando maiores reservas no centro-sul da região.

Região Nordeste

Na Região Nordeste, a previsão indica chuvas abaixo da média no centro-norte, especialmente no norte do Maranhão e do Piauí, associadas aos efeitos do El Niño. No centro-sul da Bahia, esperam-se chuvas próximas à média histórica. A temperatura será acima da média, especialmente no interior da região. 

Os níveis de água no solo continuam baixos em algumas áreas do centro-leste, com uma possível recuperação no oeste e sul devido a chuvas mais volumosas em fevereiro.

Região Centro-Oeste

Na Região Centro-Oeste, a previsão multimodelo indica chuvas regulares devido à atuação de canais de umidade ou da Zona de Convergência do Atlântico Sul. Espera-se precipitação ligeiramente abaixo da média no oeste do Mato Grosso. Apesar de corredores de umidade amenizarem a temperatura, o prognóstico aponta temperaturas acima da média

O retorno das chuvas no centro-sul favorecerá a elevação dos níveis de armazenamento hídrico, impulsionando o desenvolvimento dos cultivos de primeira safra, embora áreas pontuais do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul possam ter menores níveis de umidade no solo.

Região Sudeste

Na Região Sudeste, a previsão para o trimestre destaca chuvas mais regulares devido à atuação de canais de umidade ou da Zona de Convergência do Atlântico Sul. Essa condição ameniza a temperatura durante a atuação desses sistemas, enquanto as temperaturas tendem a permanecer acima da média histórica nos próximos meses. 

O prognóstico indica elevação dos níveis de água no solo devido à regularidade das chuvas, beneficiando os cultivos de primeira safra, café e cana-de-açúcar. Contudo, em áreas do norte de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, as chuvas podem não ser suficientes para manter os níveis de umidade elevados.

Região Sul

Na Região Sul, a previsão destaca maior probabilidade de chuvas acima da média no Rio Grande do Sul enquanto, nos demais Estados, a previsão é de chuvas mais irregulares, próximas ou abaixo da média histórica. 

As temperaturas devem permanecer acima da média em toda a região, exceto no centro-sul do Rio Grande do Sul, onde podem ser mais amenas devido a dias consecutivos com chuva. 

As chuvas recentes e os volumes previstos manterão os níveis de água no solo elevados, favorecendo o desenvolvimento dos cultivos de primeira safra, embora em algumas áreas do Paraná, a redução das precipitações e as altas temperaturas possam impactar o desenvolvimento dos cultivos.

Condições oceânicas observadas e tendências 

O Boletim Agrometeorológico publicado pelo INMET aponta ainda a interação oceano-atmosfera no Brasil, destacada pelos fenômenos El Niño-Oscilação Sul e Dipolo do Atlântico, o que influencia diretamente o clima. 

Em dezembro de 2023, o gradiente negativo de temperatura no Atlântico Sul favoreceu chuvas no norte do país. No Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño se fortaleceu, atingindo uma intensidade forte com anomalias de temperatura significativas. 

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o El Niño deve persistir até meados de abril, atingindo seu ápice. Previsões indicam, ainda, que o segundo semestre de 2024 será marcado pela iminência do La Niña, fenômeno caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico. 

No Brasil, esse fenômeno climático resultará em chuvas intensas no Norte e Nordeste, enquanto o Sul experimentará calor e seca.

Clima e pragas na cultura do algodão

As variações climáticas mencionadas nas diferentes regiões produtoras podem favorecer o desenvolvimento e a reprodução de pragas importantes, especialmente em regiões com ocorrência de altas temperaturas. Como visto, temperaturas acima da média são previstas para todo o território nacional.

Pragas como a mosca-branca e as lagartas podem se desenvolver em maiores intensidades caso ocorram condições mais quentes e secas. 

Monitorar as previsões climáticas torna-se, portanto, vital para tomar medidas preventivas, como a utilização de inseticidas, evitando assim a reprodução desenfreada das pragas e, consequentemente, danos mais severos à cultura do algodão.

Além de utilizar o inseticida mais adequado, a depender da praga identificada na lavoura, é imprescindível que os mesmos sejam aplicados no timing adequado

Pragas do algodão favorecidas em climas quentes

Mosca-branca

Climas quentes e secos favorecem a mosca-branca, apresentando riscos à cultura do algodão. O aumento da temperatura pode acelerar seu ciclo reprodutivo, resultando em maiores infestações. 

A monitorização constante e a aplicação de medidas preventivas, como o uso de inseticidas específicos, são cruciais para controlar essa praga.

Para isso, a Syngenta dispõe de uma solução inovadora, um controle sem precedentes: ELESTAL® Neo.

ELESTAL® Neo é um inovador inseticida de ação sistêmica para o controle de mosca-branca em cultivos de soja, algodão, frutas e vegetais. 

Sua fórmula única, com TINIVION® technology, oferece proteção completa, movendo-se para cima e para baixo, controlando todas as fases da praga, incluindo ninfas, e destacando-se no controle de ácaros.

Lagartas

As lagartas são importantes pragas da cultura do algodão e, assim como a mosca-branca, também podem ser favorecidas por climas quentes. As lagartas do gênero Spodoptera, principalmente Spodoptera frugiperda, importante praga também das culturas da soja e do milho, pode reduzir a produtividade e a qualidade do algodão drasticamente.

Essas lagartas estão presentes desde a emergência até a fase reprodutiva do algodoeiro. Na fase inicial, reduzem o estande da cultura, enquanto na fase reprodutiva causam danos perfurando botões florais, flores, maçãs, folhas, hastes e ponteiros. A penetração nas maçãs pode resultar na diminuição da quantidade e da qualidade da fibra, aumentando o risco de apodrecimento

Na figura abaixo é possível observar a porcentagem de danos que podem ser causados pela lagarta-do-cartucho, também conhecida como lagarta-militar, em diferentes estruturas do algodoeiro, avaliados aos 60 e 100 dias após a emergência da cultura (DAE).

Percentual de danos ocasionados em estruturas do algodoeiro por S. frugiperda aos 60 e 100 dias após a emergência da cultura, estratificados por tipo de estrutura e cultivar. Primavera do Leste, Estado de Mato Grosso, Brasil. Safra 2019/2020.
Percentual de danos ocasionados em estruturas do algodoeiro por S. frugiperda aos 60 e 100 dias após a emergência da cultura, estratificados por tipo de estrutura e cultivar. Primavera do Leste, Estado de Mato Grosso, Brasil. Safra 2019/2020. Fonte: Juchem, 2021.

O uso de defensivos específicos, como bom residual e efeito imediato, capaz de paralisar rapidamente a alimentação do inseto, são fundamentais para mitigar os riscos e proteger a produtividade e a qualidade da fibra.

Para o controle de Spodopteras: Instivo®, decisivo no controle das lagartas, imbatível contra as spodopteras. 

Instivo® é o único inseticida que controla todas as espécies de Spodopteras, incluindo Spodoptera frugiperda, considerada uma das principais pragas do algodão. Além disso, oferece excelente eficácia no controle de ácaros, proporcionando resultados superiores e um período prolongado de ação. 

Sua formulação exclusiva OPT à base de água e efeito translaminar, combina avermectina e diamida, simplificando o manejo ao permitir o controle eficiente de lagartas e ácaros com um único produto, reduzindo custos para os produtores e protegendo o bem mais precioso da sua lavoura: a produtividade!

Bicudo-do-algodoeiro

O  bicudo-do-algodoeiro é um desafio ano após ano para os cotonicultores do Brasil e de todo mundo. O clima quente favorece a reprodução dessa praga, representando um desafio, tendo em vista que pode causar a perda de produtividade e qualidade do produto colhido. 

Originário do México, o bicudo-do-algodoeiro foi detectado no Brasil em 1983, disseminando-se rapidamente nas principais áreas de produção. Se não controlado, esse inseto pode devastar totalmente as plantações, causando prejuízos entre 3% e 75% da produtividade esperada. 

Os danos concentram-se nos botões florais, prejudicando a estrutura reprodutiva durante a alimentação e oviposição dos adultos. O período de ataque, que começa cerca de 30 dias após a emergência, persiste do estabelecimento vegetativo até a maturação, destacando a importância do controle efetivo para evitar perdas expressivas.

Pensando nas necessidades dos produtores, e como protagonista no ramo de inseticidas, a Syngenta lançou recentemente um novo patamar de controle do bicudo-do-algodoeiro: SPONTA®.

SPONTA® representa um avanço significativo no manejo de pragas do algodão, especialmente contra bicudo, ácaros e tripes (também favorecidos por períodos de temperaturas elevadas e clima seco). 

Desenvolvido com a inovadora PLINAZOLIN® technology, esse inseticida acaricida oferece um controle sem precedentes. Sua formulação moderna e altamente concentrada, alia a seletividade ao cultivo do algodão, assegurando eficácia sem causar fitotoxicidade. 

Além disso, a conveniência é maximizada pela baixa dosagem de uso e pela flexibilidade nas formas de aplicação, seja aérea ou terrestre.

Confira o depoimento do agrônomo Gabriel Zidane após aplicar SPONTA® em sua lavoura de algodão. Chegou a hora de fechar o cerco contra o bicudo-do-algodão e as principais pragas dessa cultura.

A safra de algodão em 2024 promete ser promissora, mas os produtores enfrentarão desafios, especialmente em relação às condições climáticas e às pragas. Em climas quentes, a atenção redobrada às medidas preventivas é essencial para garantir uma colheita produtiva e de alta qualidade. 

O monitoramento constante, a adoção de tecnologias inovadoras e o uso estratégico de inseticidas eficientes são fundamentais para o sucesso da produção de algodão. Ao antecipar os desafios associados a pragas em climas quentes, os produtores podem garantir uma safra robusta e contribuir para o crescimento sustentável do setor.

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.

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